Matéria Zumbis da Pedra no Clic RBS


Holograma marginal

      Graças ao livro Zumbis da Pedra, que escrevi com meu amigo Marco Cena, esta semana, pela primeira vez, fui patrono em uma feira do livro. O convite veio da cidade de Charqueadas. Eu, que conhecia o município mais por conta dos presídios, tive o prazer de ver que as coisas nem sempre são o que parecem.
      As mais de 40 mil pessoas que moram lá aprenderam a fazer de Charqueadas não uma cidade de presídios, mas de oportunidades. Durante as entrevistas e atividades de um patrono, uma pergunta sempre foi muito frequente: “O que lhe fez não seguir a vida errada?”
      Nem eu tinha pensado a fundo nisso, mas depois de refletir, vi que eu, na adolescência, até queria ser bandido. Achava maneiro, afinal, eles andavam de moto e pegavam várias minas. Por outro lado, conforme eu olhava os caras de perto, via que aquele sucesso deles era um holograma, pura ilusão. Tanto que, na casa das suas mães, às vezes, não tinha gás para cozinhar um rango. Eles dormiam cada dia em um lugar, com medo de serem pegos. Trocavam de namoradas com medo que elas soubessem de seus esquemas e dessem o golpe. Não podiam ver uma moto com farol alto que achavam que iam morrer. E, quando morriam, o caixão tinha que ser lacrado, porque a cabeça estava estourada.
      Eu não queria que minha mãe visse a perícia recolhendo meus miolos com pazinha de lixo. Quando coloquei na balança, vi que ser bandido parecia ser maneiro, mas no fim eu ia me quebrar.
      Na vida do crime, por mais responsa que sejamos, sempre estaremos dormindo com a pistola embaixo do travesseiro. E, se nos acordarem no susto, atiramos. Numa dessas, já vi malandro matar filho e chorar a vida inteira. Não quero isso para mim. Graças a Deus, e à linha dura de minha mãe, eu me dei conta a tempo de voltar e seguir outro rumo na vida.
      O meu pedido é: mostre este texto ao seu filho para que ele não se deixe levar pelo holograma marginal.

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Em 26 de Outubro 2011, postado em: por BesouroBox Coments( 0 )

Sobre o Crack


 

      Texto retirado do site clic RBS, da série "Meninos do Crack"
 
      Pedras na colher - Série Meninos do Crack
      Na série “Meninos do Crack”, conheça a história de Antônio. Ele tem trinta e três anos e é encanador. Freqüentou a escola até a 8ª série do ensino fundamental. Fuma crack há treze anos e não passou por internações de reabilitação.
      
      Pedras na colher
      Não lembro bem a época, porque já faz uma cara. Também, porque parece que tudo teve inicio há pouco tempo, mas já fazem uns treze ou quatorze anos que conheci as pedras.
      Tínhamos uma turma de amigos. Nos reuníamos para beber, fazer umas festinhas e cheirar uma cocaína nos finais de semana. Era sempre na casa do mesmo parceiro. Ele morava sozinho, ao contrário do resto de nós. Então, era o melhor lugar para que pudéssemos nos drogar sem medo.
      Naquela época, aqui na cidade, o crack era desconhecido. Se escutava falar dessa droga apenas em notícias veiculadas pela televisão e isso acontecia somente nas capitais. Quem diria que o crack ocuparia tamanho espaço no interior do estado...
      Um camarada, amigo de um de nós, de Florianópolis, que veio nos apresentar às pedras. Lembro que já tínhamos bebido umas cervejas e aí faríamos o ritual de sempre: cheirar pó, mas aquela noite foi diferente. O catarinense chegou lá, viu que tínhamos uma grande quantidade de pó, e sugeriu que fizéssemos umas pedras. Aceitamos. Achamos a ideia interessante, porque, como sempre, quando se usa muito tempo a mesma droga, ela já não dá o pauladão que se espera. Nenhum de nós contestou a idéia de fazer as pedras, porque o cara explicou que, se fumássemos ao invés de cheirar, o efeito seria mais rápido. Sendo assim, não deu outra: fizemos as pedras.
      A receita foi mais simples que fazer um bolo. Pegamos uma quantidade de pó, a mesma quantidade de bicarbonato de sódio e água. Esses foram os ingredientes. Para o preparo, só precisamos de uma colher, onde colocamos os ingredientes em cima.
      Pegamos o isqueiro, botamos embaixo da colher e deixamos até borbulhar. Quando ferveu, colocamos um pouco de água fria para dar um choque térmico. No fim, colocamos um pano em cima, para tirar a umidade, e as pedras estavam prontas para o consumo.
      Dizem que as amizades não influenciam em nada, mas, para mim, foi o começo. Se eu não andasse com aquelas pessoas, talvez nunca tivesse me envolvido com drogas.
      Comecei com maconha e, quando ia para a noite, o pó virou minha companhia, para ficar ligadão.
      Com o crack tudo muda, porque ele passa a dominar a pessoa de uma forma que ninguém explica. A sensação é difícil explicar, porque só quem usa sabe como é. Descrevo que, nos primeiros segundos, é um prazer imenso, mas logo o efeito ilusório vai passando, a língua trava, os olhos ficam grandes e a fisionomia muda completamente. Sem falar nas conseqüências que a pedra te traz. Sempre fui trabalhador honesto e, de repente, comecei a assaltar. Foi tudo muito rápido. Parece que não é a minha história de vida, mas infelizmente é. Fiquei preso três anos, dez meses e vinte e dois dias. Devo isso ao crack.
      Têm usuários e usuários, cada um age de uma forma. Têm muitos que pegam cinco reais e correm fumar. Eu não. Sei como é o mecanismo da droga, então, não vou fumar uma pedra. Para quê? Para me fissurar? Eu trabalho. No fim de semana, já separo cinquenta ou cem reais para fumar, porque sou um viciado. Não posso ter dinheiro comigo, porque, se tiver, a primeira coisa que vem na minha mente é usar crack. Por isso, quando recebo, minha mãe fica com uma boa parte, mas sempre tiro uma parte para consumo.
      Minha vida poderia ter sido diferente, mas não foi. Me encontro em um beco sem saída, mas ainda consigo levar uma vida normal, pelo meu trabalho.
 
      Este texto faz parte do livro Meninos do Crack, da jornalista Ana Paula Nonnemacher. 
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Em 27 de Setembro 2011, postado em: por BesouroBox Coments( 0 )

Matéria Zumbis da Pedra no Mundo Jovem


 

Matéria feita pelo jornal Mundo Jovem, edição de maio, na parte Curtas e Dicas / Pelo prazer de ler (p.23) 
 
Os zumbis da pedra 
 
O livro Os zumbis da pedra fala em linguagem acessível sobre o crack. Os autores, através de metáforas, com texto e imagens, representam as etapas vividas pelo viciado, desde o início, com a droga retratada como um paraíso, a fase da negação, até chegar ao Vale dos Zumbis, onde uma pedra gigante é objeto de desejo. O traficante, nesta fábula, é bonito e bem arrumado, ao contrário da sua imagem mais disseminada em nossa sociedade. A obra foi produzida por integrantes da Central Única das Favelas (CUFA). História de Manoel Soares e Marco Cena, ilustrações de Daniel Soares e Dango Costa, e edição de Besouro Box. Pode ser adquirido em livrarias ou no site da editora 
http://www.besourobox.com.br/ 
 
Fonte: 
http://www.mundojovem.pucrs.br/jornais-05-2011.php
 
 
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Em 04 de Maio 2011, postado em: por BesouroBox Coments( 0 )

Adaptação em vídeo do livro Os Zumbis da Pedra


Adaptação em vídeo do livro os Zumbis da Pedra feito pelos alunos da turma 72 do colégio ACM Centro. Vitor Marques Xavier (eu=escudeiro), Téo Coelho (nilinho=garoto loiro), Thomaz Fernandes (zumbi) e Ernesto Che (chupa-almas).
Os alunos foram cordenados pela professora de língua portuguesa, Bárbara de Oliveira.

 

 Deem uma olhada no vídeo! Ficou super legal a cena que os meninos do colégio ACM fizeram, segue o link abaixo:

http://www.youtube.com/watch?v=Ul3pI3fNssU

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Em 14 de Março 2011, postado em: por BesouroBox Coments( 0 )

Falando a respeito do livro Os Zumbis da Pedra


“Povo que não tem virtude acaba por ser escravo”, afirma o Hino riograndense. É com essa busca pelo total fim da escravidão que o comunicador e agora escritor, Manoel Soares, da Cufa do Rio Grande do Sul em parceria com Marco Cena, lançam seu livro. As ilustrações são de Daniel Soares e Dango Costa.
Intitulado “Os Zumbis da Pedra”, Manoel faz de uma trágica história do cotidiano tornar-se alerta aos jovens e adolescentes. O escritor busca divulgar seu livro nas escolas e demais intuições de apoio a menores, até que seu livro seja incluído como didático nas escolas.
Mostrando uma realidade riograndense e não menos distante do restante do país, Manoel enfatiza o domínio do crack em nossa sociedade. “O Estado do Rio Grande do Sul considera o crack o maior problema de saúde da atualidade. O consumo de crack acaba com cérebro, fígado e pulmão. Poucos jovens usuários chegam aos 30 anos de idade”, disse Manoel em entrevista.
O nobre colega não foge da verdade ao fazer esse alerta sobre os perigos do uso de drogas. “São raras as bocas que vendem maconha ‘limpa’. A maioria mistura com crack”, completa Manoel.
 
 
Matéria de Katiana Pereira, retirada do blog: http://cufasinop.blogspot.com/ http://cufasinop.blogspot.com/
E mais, Manoel Soares fala a respeito do livro pro site do Clic RBS:
"Vi que faltava uma ferramenta lúdica para falar com crianças e jovens de forma educativa. O livro foi feito numa parceria da Cufa, Central única das Favelas e a editora Besouro Box, com ilustrações de Daniel Santos e Dango Costa, ambos jovem dos projetos da Cufa RS, no livro eu e Marco Cena buscamos ficar na fina linha que divide o real e o imaginário na vida de uma criança. Lançado na 55ª feira do Livro de Porto Alegre a publicação conta a história de um menino que livra o irmão do crack com duas ferramentas infalíveis: amor e imaginação. Nos 29 anos de periferia que tenho, este foi o projeto que me deixou mais feliz."
 
 
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Em 14 de Março 2011, postado em: por BesouroBox Coments( 1 )

Agenda BesouroBox nas Escolas 2010


8 de fevereiro – O Manoel participou da Feira do Livro de Atlântida Sul
 
20 de agosto – O Manoel fez um bate-papo no Colégio La Salle de Canoas, eles trabalharam em sala de aula com o livro Os Zumbis da Pedra
 
28 de agosto – O Colégio Edificare de Caxias do Sul trabalhou com o livro Zumbis e o Manoel realizou um bate-papo com os alunos
 
09 de setembro – Colégio Guanella, localizado em Porto Alegre também trabalhou com o livro e o Manoel fez uma palestra.
 
21 de setembro – O Colégio Batista, localizado na Av. Cristóvão Colombo de Porto Alegre trabalhou com o Zumbis e o Marco e o Daniel fizeram um bate-papo com os alunos da escola.
 
1° de outubro – Colégio ACM do Centro recebeu o Marco e o Daniel para falarem do livro e do Crack
 
7 de outubro – A Prefeitura de Arroio dos Ratos levou o Manoel Soares para falar na Feira do Livro
 
21 de outubro – A Prefeitura de Campo Bom convidou o Manoel para falar do livro na Feira do livro da cidade
 
26 de Novembro – A autora Paloma Laitano realizou uma oficina no Colégio Marista das Graças com as crianças que trabalharam com o livro Criança em Ação.
 
03 de dezembro – O Manoel esteve na Feira do Livro de Nova Hartz
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Em 25 de Fevereiro 2011, postado em: Agenda , por BesouroBox Coments( 2 )